Informações diversas e actuais de interesse a respeito da paróquia de LAGEOSA DO MONDEGO - Celorico da Beira, distrito da Guarda

segunda-feira, outubro 06, 2008

A preocupação de Deus não é a de ser considerado “um Deus fixe”, “um Deus porreiro”, “um Deus cá dos nossos”. O nosso Deus não é um deus bonacheirão..

Inspirando-se no Cântico da Vinha de Isaías, Jesus, através da parábola dos vinhateiros homicidas, apresenta uma síntese da história de Israel.
Por um lado, Jesus evidencia o amor de Deus – um Deus que tudo faz em favor do seu povo. Por outro, Jesus refere, em tom de censura, a infidelidade e a ingratidão do povo em relação a Deus.

Deus, apesar da resistência do povo, sobretudo dos seus chefes, não desiste de levar por diante o seu projecto de salvação – projecto que tem em vista a salvação de todos os povos da terra. Deus não desiste, porque ama apaixonadamente os homens e quer efectivamente salvá-los.

Em Abraão, Deus escolhe um povo – o povo eleito, o povo das promessas e das alianças, o povo dos patriarcas e dos profetas, o povo do qual nasceu Jesus.
Deus escolhe um povo para, através dele, se dar a conhecer e unir a si todos os outros povos.

Em Moisés, Deus liberta esse povo da terra da escravidão (o Egipto) para o conduzir à pátria da liberdade, deixando bem claro que Ele é um Deus de homens livres. Homem verdadeiramente livre é só aquele que não sente desejo nem cai na tentação de escravizar seja quem for. Por sua vez, povo livre é aquele que respeita e promove a liberdade dos outros povos.

Através dos profetas, Deus fala ao povo, revela-lhe os seus desígnios, denuncia as suas infidelidades, recorda-lhe os seus compromissos, convida-o à conversão, aponta-lhe o caminho da rectidão e da justiça.

  • O amor de Deus, por ser autêntico, é um amor exigente. Deus não fecha os olhos nem deixa passar, não cala nem pactua com a maldade do homem. Deus não teme cair nas sondagens de popularidade!
    • A preocupação de Deus não é a de ser considerado “um Deus fixe”, “um Deus porreiro”, “um Deus cá dos nossos”.
    • Deus, porque ama de verdade os homens, propõe-lhes o caminho da verdade e do bem, o caminho do direito e da justiça, o caminho do arrependimento e da conversão. Só este dignifica o homem e garante a sua realização plena.

Os homens nem sempre, ou melhor, quase nunca reagem bem a estas propostas de Deus. Preferem um Deus bonacheirão, que engole tudo, que não levanta ondas, que se adapta aos gostos e às exigências dos homens.
Com muita dificuldade, os homens captam e entendem o amor de Deus nas exigências e propostas de vida que lhes faz. Aceitam mais facilmente, porque fere e incomoda menos, a mentira da palavra dos homens (dos falsos profetas) do que a verdade da palavra de Deus.
Assim, compreendemos a reacção, tão negativa como violenta, do povo de Israel em relação aos profetas. Eles desacreditam, perseguem e eliminam os profetas, para que Deus não faça mais sentir a sua voz e, por conseguinte, não os perturbe nem os incomode com a sua palavra. O que eles, na realidade, pretendem é fazer calar Deus, não lhe reconhecendo direito nem autoridade para se intrometer nas suas vidas.

  • Muitos homens, mesmo entre aqueles que se dizem crentes, não toleram que Deus saia dos templos para se meter e intervir nas suas vidas e na vida da sociedade.
  • Por sua vez, o verdadeiro Deus não tolera estar aprisionado nos santuários, ainda que estes sejam magníficos e esplêndidos.
  • Pelo contrário, Deus prefere estar e agir lá onde se desenrola a vida do homem, no coração do mundo e da história.

Este propósito leva Deus a enviar o seu Filho ao mundo. Jesus é “o argumento” mais poderoso de Deus para esclarecer e convencer os homens. É também o seu argumento definitivo.
Deus pensou consigo: vão respeitar o meu Filho, vão dar crédito à sua palavra, vão converter-se a mim. Mas Deus enganou-se!

  • Na verdade, Jesus não foi suficientemente convincente para muitos judeus, sobretudo para os responsáveis do povo. Estes não reconheceram Jesus como o enviado de Deus, muito menos como o Filho de Deus. Menos ainda aderiram ao reino de Deus que Ele lhes propunha.
  • Jesus não foi convincente, ou melhor, eles não se deixaram convencer porque estavam demasiado presos (e assim lhes convinha) à imagem que tinham de Deus: o deus…
  • que se conforma com a sua visão do homem e da sociedade,
  • que tolera e aprova os seus privilégios,
  • à medida da sua mediocridade moral,
  • das suas tradições religiosas.
  • Por conseguinte, não podiam (não lhes interessava) aceitar que Deus fosse como Jesus O revelava.

Por isso mesmo, tal como os seus antepassados procederam com os profetas, eles rejeitaram Jesus e deram-lhe a morte.
Rejeitaram Jesus, mas não puderam impedir que Ele salvasse a humanidade. Com efeito, Aquele Jesus, que eles condenaram à morte, oferecendo a sua vida ao Pai pelos pecados dos homens, tornou-se causa de salvação para quantos nele acreditam, independentemente do povo ou da raça a que pertencem.
Alguns homens podem:

  • recusar a verdade de Deus mas não podem impedir que outros O conheçam com verdade;
  • teimosamente permanecer na dureza do seu coração, mas não podem impedir que outros se convertam a Ele de todo o coração;
  • recusar as normas morais evangélicas, mas não podem impedir que outros vivam de acordo com elas;
  • ser insensíveis ao amor de Deus, mas não podem impedir que outros se maravilhem com ele.

E Deus, que é optimista por natureza, não desanima nem desiste perante a infidelidade e a ingratidão dos homens e dos povos. Antes, continua a ser compreensivo e generoso para com todos os que O procuram.
Ainda bem que o nosso Deus é mesmo assim!